A humanidade vem ao longo dos anos sendo corrompida pela ganância e o consumismo exacerbado. O homem vem preferindo o“ter” antes mesmo do “ser”, ocasionando uma perda de valores morais e até mesmo intelectuais, pois se o que nos distingui dos outros animais é a capacidade de raciocínio, nossos atos ultimamente “freqüentemente irracionais” nos coloca no mesmo patamar que os demais.
Toda essa corrida em busca de poder vem sendo refletida no nosso dia-a-dia com nossas atitudes, e uma das principais vítimas dessa ambição é a nossa mãe terra.
A natureza vem sendo degradada inconseqüentemente e apesar de todos os cuidados demonstrados por uma pequena parcela da população, nosso planeta já se encontra debilitado, quase sem forças para continuar lutando, enfrentando essa onda de maus tratos e descaso pela maioria.
Para comprovarmos esse triste fato, não precisamos ir tão longe, aqui mesmo na nossa própria cidade, vemos diariamente o descaso dos moradores, empresas e repartições públicas que têm seus esgotos desviados para dentro do nosso ponto turístico esverdeado.
Isso mesmo, a Lagoa da Salina, vitima indefesa e diária do desrespeito. Pobres peixes e cágados que lutam em busca de oxigênio em meio à esmeralda de poluição.
Alguns meses atrás foi instalado próximo ao centro da lagoa um jato de água na tentativa de aumentar a oxigenação da mesma -espero sinceramente que tenha sido essa a intenção e que não sirva apenas de um acessório descartável.
Entretanto, a área da lagoa é enorme e o jato torna-se quase insignificante, mas antes isso a nada não é mesmo?
Um ponto revoltante é que diversas vezes foram liberadas verbas para a reforma da varanda que circunda a lagoa, e recentemente o governo aprovou a liberação de R$ 175.000 mil reais para a construção de uma enorme estatua do divino espírito santo (padroeiro de Morada Nova) no centro da salina.
O irônico é que nessa época de eleições a varanda “reformada” serve de estandarte para propagandas políticas dos candidatos. Para cada lugar que se olha ao longo de sua extensão encontramos adesivos e panfletos grudados na mesma.
Outro ponto alarmante é o lixão de Morada Nova, nosso cartão de boas vindas para os novos visitantes. Localizado no CE 138, o lixão abrange uma área de 11 hectares , no qual podemos encontrar de tudo.
São vários os problemas de um lixão a céu aberto, citarei os mais sérios. O primeiro e mais agravante é a contaminação diária do solo e dos lençóis freáticos. O chorume (liquido liberado pelos matérias em decomposição) penetra no solo e contamina as águas subterrâneas.
Um outro fator, e que ocorre freqüentemente na tentativa de reduzir a quantidade de lixo, são as queimadas. A fumaça tóxica que se inala dela pode ocasionar problemas respiratórios nos catadores que trabalham na reciclagem do lixo.A qualquer um que fique exposto a “situação”, lembrando que o ônibus que sempre leva os alunos para as faculdades de Limoeiro sempre passam por frente ao devaste “campo negro”. Além dos problemas de saúde, as queimadas são extremamente prejudiciais à camada de ozônio (camada que envolve e protege a terra dos raios ultravioletas). Os gases liberados durante as queimadas proporcionam a destruição dessa camada.
Outro ponto negativo nas queimadas é a degradação do solo, tornando-o impróprio para o cultivo e desenvolvimento de plantas.
Apesar de todos esses agraves, ainda não se foi viabilizada a construção de um aterro sanitário.
Diante de todos os fatos apresentados cabe somente a nós pormos a mão na consciência e nos perguntarmos o que podemos fazer para, se não reverter, apenas amenizar todo esse quadro de descaso.
Pensar em respostas vai ser muito fácil, o difícil será colocá-las em prática, entretanto, é exatamente isso que precisa ser feito.
A terra já cansou de ser salva milhões de vezes em papeis!!!
Nosso planeta deseja ser lembrado como uma terra fértil de prosperidade, terra com abundância de água e outros recursos naturais, e não como um lugar estéreo e sem vida, repleto de sofrimento, e é exatamente para isso que nós caminhamos.
A frase pode parecer clichê, mas ainda existe tempo para se reverter essa situação, porém, se nada for feito, os anos passaram e com eles a possibilidade de salvarmos o único lugar que nos acolheu sem nada pedir em troca. Que nos manteve sem reclamar por um bom tempo e nos proporcionou qualidade de vida, mas que não soubemos preservar.
E ai, o que vamos fazer?
O que você vai fazer?
Já chega do individualismo de “se ele não faz eu também não”. Com trabalho em equipe e pequenas atitudes podemos ainda salvar nosso planeta, ainda podemos salvar nosso lar. Ainda podemos salvar nossas vidas.

