Lutando contra o preconceito moral - A meu ver

Por Lycia Cavalcante*
Você já passou por alguma situação como ser “repreendido(a) em frente dos clientes?”,“ humilhado(a) na frente de pessoas conhecidas porque na hora do trabalho você falou com uma outra pessoa?”, “foi tratado(a) como parede pelo supervisor(a)”, “exigindo(a) mais do que o normal, mesmo sempre trabalhando ao nível ou até mais do que os demais funcionários?”.
Se sim, você é uma das muitas vitimas que sofrem preconceito moral que atingem milhões em todo mundo.
Preconceito moral é aquele em que o chefe ou mesmo colega de trabalho expõe o outro em uma situação desconfortável, fazendo com que o mesmo se sinta ridicularizado e humilhado, adoecendo até psicologicamente. Se você faz parte deste mundo ou mesmo se você já foi assediado moralmente, saiba que você tem mais direitos do que possa imaginar.
Em nossa cidade não é diferente. Dono de mercantis, lojas, fábricas, etc... humilham e deprimem seus funcionários fazendo de seu trabalho um grande carma ou grande pesadelo, pois em nossa cidade falta muito emprego. Por essa situação os funcionários - ou podemos chamar de “escravos” se obrigam a trabalhar e sofrer calados por “necessidade”.
É só entrar em algumas lojas e constatar a tristeza dos funcionários passando o ridículo de terem sua atenção chamada aos gritos por superiores ou propriamente patrões. Estas mesmas lojas obrigam os funcionários a passarem o dia todo correndo para lá e para cá, sem descanso, sem horário para se alimentarem, trabalhando de segunda à domingo e até em feriados.Raros horários de saídas rápidas.
As fábricas aqui não aceitam atestados médicos. Se faltar é retirado a perca do dia do salário, e muitas vezes, levar atestado médico para o supervisor é motivo de demissão.
Atos mais usados na descriminação dos funcionários:
• Escolher a vítima e isolar do grupo.
• Impedir de se expressar e não explicar o por quê.
• Fragilizar, ridicularizar, inferiorizar, menosprezar em frente aos patrões.
• Culpabilizar/responsabilizar publicamente, podendo os comentários de sua incapacidade invadir, inclusive, o espaço familiar.
• Desestabilizar emocional e profissionalmente. A vítima gradativamente vai perdendo simultaneamente sua autoconfiança e o interesse pelo trabalho.
• Destruir a vítima (desencadeamento ou agravamento de doenças pré-existentes). A destruição da vítima engloba vigilância acentuada e constante. A vítima se isola da família e amigos, passando muitas vezes a usar drogas, principalmente o álcool.
• Livrar-se da vítima que são forçados/as a pedir demissão ou são demitidos/as, freqüentemente, por insubordinação.
• Impor ao coletivo sua autoridade para aumentar a produtividade.
Fico a pensar no que leva o patrão a humilhar e bloquear o crescimento de sua empresa, sim, pois quem faz o crescimento da empresa é o funcionário e o cliente, se o patrão não trata o funcionário bem, conseqüentemente o funcionário tratará mal o cliente, que deixará de comprar ali.
O que as vitimas perderam fazer:
• Resistir: anotar com detalhes toda as humilhações so diretores e outras instancias como: médicos ou advogados do sindicato assim como: Ministério Público, Justiça do Trabalho, Comissão de Direitos Humanos e Conselho Regional de Medicina (ver Resolução do Conselho Federal de Medicina n.1488/98 sobre saúde do trabalhador).
• Recorrer ao Centro de Referencia em Saúde dos Trabalhadores e contar a humilhação sofrida ao médico, assistente social ou psicólogo.
• Buscar apoio junto a familiares, amigos e colegas, pois o afeto e a solidariedade são fundamentais para recuperação da auto-estima, dignidade, identidade e cidadania.
Entrevistas realizadas com 870 homens e mulheres vítimas de opressão no ambiente profissional revelam como cada sexo reage a essa situação (em porcentagem)



Tabela
Sintomas
Homens
Mulheres
Crises de choro
100
-
Dores generalizadas
80
80
Palpitações, tremores
80
40
Sentimento de inutilidade
72
40
Insônia ou sonolência excessiva
69,6
63,6
Depressão
60
70
Diminuição da libido
60
15
Sede de vingança
50
100
Aumento da pressão arterial
40
51,6
Dor de cabeça
40
33,2
Distúrbios digestivos
40
15
Tonturas
22,3
3,2
Idéia de suicídio
16,2
100
Falta de apetite
13,2
2,1
Falta de ar
10
30
Passa a beber
5
63
Tentativa de suicídio
-
18,3
Fonte: BARRETO, M. Uma jornada de humilhações. São Paulo: Fapesp; PUC, 2000.
CUIDADOS PATRÕES QUE MALTRATAM SEUS FUNCIONÁRIOS, ELE PORDERAM CONHECER SEUS DIREITOS E DERRUBAR SUA SOBERANIA.

* Universitária do IFCE- Campus Limoeiro do Norte onde cursa Técnico em Agrapécuaria

0 comentários:

Postar um comentário