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| Hikikomori isolado em seu quarto - Divulgação |
Nem todos conhecem o nome, mas no Japão os hikikomoris são bem populares, ou melhor, não são. A expressão é usada para definir jovens que são solitários por opção e decidem abandonar a sociedade para viverem isolados. Normalmente eles só se comunicam com o mundo por internet.
Assim vive Viviane Lima, a jovem que mais dá sentido ao significado da palavra em nossa cidade. Ela abandonou a Universidade e passou a evitar o social por motivos que só ela pode explicar. Seu computador hoje é considerado seu mais fiel amigo, mas o caso não é totalmente conseqüência da máquina. É que a internet acaba sendo a única opção para essas pessoas não se sentirem completamente vazias.
“Não me considero solitária”, declara Viviane, “Apenas não gosto muito de me envolver nos assuntos nem na vida dos outros. Até porque, nossa cidade, nossa ‘Morada Nova’, tem um ciclo vicioso de pessoas com o mesmo tipo de pensamento unânime. Se eu não me encaixo em nenhum deles, por que bancar a hipócrita?”
Os motivos que caracterizam o perfil de um hikikomori são bem diferenciados. Estresse, assédio moral na sociedade, problemas com a família, dentre outros. A internet vira para eles o único meio de não sair completamente da sociedade.
“É o único meio de viver uma ‘vida normal’, diz Viviane. Seu primeiro contato com a rede foi através de uma amiga que a mostrou o conhecido Bate-papo. Daí em diante veio os populares Orkut e Mensseger.
“Meu interesse nesses sites não é fazer amigos” Viviane esclarece “mas sim entrar em contato comigo mesma, aprender cada vez mais”. Ela conta que assim que encontrou o site Deviantart (D.A) melhorou suas habilidades e passou a querer ficar mais em casa.
“No D.A as pessoas postam seus trabalhos: desenhos, fotos, textos, artigos e emoticos criativos. Ninguém fica com tantas exigências como nos demais web sites. Eles não cobram fotos do usuário, lá o que interessa é seu trabalho. Vivo em casa por que não vejo motivos para perder tempo conhecendo pessoas que mais cedo ou mais tarde irão mudar, nos tratar diferente e até abandonar. Se não todos em uma mesma seqüência. Na internet aprimoro mais o inglês – D.A é Americano – sem precisar depender de alguém ou vice-versa”. Conclui Viviane, que está há dois anos sem muito contato fora de casa.
Ela é um dos casos à parte em Morada Nova. Como já mencionado, um hikikomori é definido por se isolar da sociedade e não por ser viciado em internet, sendo é claro em quase todos os casos, a gema de um a clara do outro. Trata-se ainda do motivo de sentir que é isso que o torna permanente neste estado de dependência, e que talvez sem, causar-lhe-ia a morte, pois a falta de seu único incentivo aumenta sua depressão.
Encontrar a relação entre um hikikomori e seu computador fica claro. Eles ainda fazem parte do mundo sem realmente fazer.
A importância da rede só aumentou durante os últimos anos. O acesso a diversos lugares sem sair da frente do computador é o que torna tudo muito viciante, até para um usuário comum que não se sente atraído e obcecado. Sem falar dos benefícios, seja para os bons ou maus internautas. Todos podem ser quem quiserem perante um computador. O mais oprimido torna-se ousado, e a vulgar vira uma santa. Poder trocar idéias, dividir certas experiências... São pontos atrativos a qualquer um, inclusive aos isolados.
Esse excesso de contato com a rede pode sim indicar sintomas de depressão. É como uma droga. Literalmente um vício que aos poucos sem perceberem se torna grave.
O Universitário Cássio Jacinto conta que a internet lhe oferece infinitos conteúdos de conhecimento, mas ele também confessa que quase sempre a usa só para fazer prático o modo de passar os “desprezíveis e monótonos dias”. Cássio adora fazer dawnloads de quase tudo. Livro, seriados, música e filmes. Livros comuns e estudar, só quando falta energia.
“É a partir da minha consciência de causa adquirida que enxergo meu estado verminoso e frenético, pois sinto um enorme tédio longe dos monitores do computador”, diz.
Nossa cidade não tem casos tão sério como no Japão, que normalmente tratam desses jovens - adultos também – com acompanhamento de instituições e terapias. Mas ainda assim é bom evitar que o nível de isolamento não chegue ao extremo. Não é uma questão de tratá-los como doentes, mas de incentivá-los aos demais prazeres da vida.
Bom... Para nossa realidade moradanovense em que muitos dos pais não se importam se os filhos saem ou deixam de sair, a vida dessas pessoas está por um fio, literalmente. Desculpem o trocadilho.

1 comentários:
Típico de você também Alex, achei até que era uma autobiografia. Analise os fatos...quase insociável e ama computador. Bom saber que existe um nome que te define além de compulsivo.
Mas ficou bom seu artigo. Parábens. Continue assim garoto.
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